segunda-feira, 19 de maio de 2025

Imigração: Uma Necessidade e uma Responsabilidade


A imigração é, nos dias de hoje, uma realidade necessária para muitos países, incluindo Portugal. Com uma população a envelhecer e cada vez menos nascimentos, é urgente repensar como podemos garantir o futuro económico e social do país. E uma das soluções mais eficazes passa pela entrada de imigrantes.

Para se perceber melhor o problema, pensemos no seguinte exemplo: há algumas décadas, era comum um casal ter quatro ou cinco filhos. Quando esses filhos cresciam e começavam a trabalhar, passavam a descontar para a Segurança Social, ajudando a pagar as reformas dos pais. Era um sistema que funcionava, porque havia muitos trabalhadores ativos a sustentar os reformados.

Hoje, essa realidade mudou. Muitos casais têm apenas um ou dois filhos — ou até nenhum. Isso significa que há cada vez menos pessoas a entrar no mercado de trabalho, enquanto o número de reformados continua a aumentar. O resultado é um desequilíbrio: poucos trabalhadores a sustentar muitos reformados. Se nada for feito, este sistema torna-se insustentável.

É aqui que entra a imigração. Ao acolher pessoas de outros países que vêm para trabalhar e viver em Portugal, conseguimos reforçar o número de trabalhadores ativos, garantir mais contribuições para os impostos e para a Segurança Social e, assim, ajudar a manter o nosso Estado Social.

Além disso, há vários sectores da economia — como a agricultura, a construção civil, a restauração ou os cuidados de saúde — que enfrentam falta de mão de obra. Muitos portugueses continuam a emigrar, procurando melhores condições de vida noutros países. Por isso, é ainda mais difícil compreender como é que um povo que tanto emigrou no passado — e que continua a fazê-lo — possa, por vezes, não entender a importância e a legitimidade de outros quererem vir para Portugal em busca de um futuro melhor. A empatia com o emigrante devia ser parte da nossa identidade nacional.

Importa ainda lembrar que os imigrantes, ao trabalharem e viverem legalmente em Portugal, pagam impostos e contribuem com descontos, ajudando nas contas públicas. A maioria contribui mais do que aquilo que recebe em apoios, o que mostra que a sua presença é uma mais-valia para Portugal.

No entanto, é essencial que tudo isto seja feito com responsabilidade. Não se trata de abrir as portas indiscriminadamente, como se todos pudessem entrar sem critério. Trata-se, sim, de haver um controlo eficaz das fronteiras, de garantir que quem vem para Portugal vem com boas intenções, com vontade de trabalhar, respeitar as leis e contribuir para a sociedade. O acolhimento deve ser feito com regras claras e políticas de integração bem definidas.

Portugal precisa da imigração. Precisa dela para combater o envelhecimento da população, para garantir a sustentabilidade do sistema de pensões, para preencher vagas no mercado de trabalho e para manter viva a economia. Mas essa necessidade não dispensa o rigor. A resposta não está em portas escancaradas nem em muros fechados: está num controlo sério, justo e humano, que assegure que quem vem, vem por bem.


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