terça-feira, 24 de junho de 2025

O Tamanho da Alma

Há uma força silenciosa que vive dentro de nós. Uma força que ninguém vê, mas que grita em cada escolha, em cada passo que damos, mesmo com medo. Uma força que se revela sobretudo quando o mundo – ou aqueles que nele habitam – tenta encolher-nos. Reduzir-nos. Apagar-nos.

"Que se continue gigante diante de coisas que nos tentam fazer pequenos."

Não é apenas um desejo bonito, é uma missão de vida. É o grito interior de quem já foi diminuído, silenciado, encostado a um canto por palavras duras, olhares julgadores ou ausências ruidosas. É o eco de quem sabe o que custa lutar todos os dias contra o invisível – seja a insegurança, o cansaço, o medo, ou o peso das expectativas alheias.

Há muitas formas de tentarem fazer-nos pequenos.

Quando nos dizem que estamos a exagerar, quando nos mandam calar, quando ignoram o nosso valor. Quando desvalorizam os nossos sonhos, as nossas dores, os nossos limites. Quando tentam convencer-nos de que não somos suficientes, de que não temos o que é preciso, de que não vamos chegar lá.

Mas ser gigante não é gritar mais alto.

Ser gigante é não deixar que nos desfaçam por dentro, mesmo quando nos rasgam por fora.

É levantar a cabeça quando tudo em nós quer desabar.

É continuar com dignidade, mesmo quando nos querem de joelhos.

É difícil, sim. Há dias em que nos sentimos tão pequenos que até as próprias mãos parecem longe demais do peito para conseguirmos abraçar-nos. Há momentos em que o mundo parece grande demais para nós e o silêncio, pesado demais para suportar. Mas é aí que se cresce. É aí que se mostra o verdadeiro tamanho do nosso carácter.

Porque a grandeza não está na ausência de quedas.

Está na forma como nos levantamos.

Está em continuar de pé, com a alma suja de poeira, mas os olhos ainda acesos.

Por isso, que se continue gigante.

Mesmo quando o mundo nos quer pequenos.

Mesmo quando nos querem frágeis, submissos, conformados.

Que sejamos gigantes na forma como não aceitamos menos do que merecemos.

Gigantes na maneira como defendemos o nosso espaço, os nossos sentimentos, os nossos sonhos.

Gigantes na capacidade de olhar para dentro e encontrar ali tudo o que o mundo tenta esconder-nos: força, valor, dignidade.

Não te encolhas para caber no conforto dos outros.

Não te apagues para iluminar caminhos alheios.

Não te diminuas para não incomodar.

Ser gigante é, muitas vezes, um acto de resistência.

E resistir, neste mundo que tanto insiste em apagar brilhos e silenciar verdades, já é um milagre

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