terça-feira, 8 de julho de 2025

A Tristeza Que Ninguém Vê


 Há uma tristeza que ninguém vê.

Não grita. Não chama a atenção. Não arrasta correntes. Está ali, disfarçada de força, de silêncio, de sorrisos automáticos. Vive nos pequenos gestos que ninguém nota. No “está tudo bem” que se diz por reflexo, para não incomodar, para não parecer frágil, para não explicar o que já ninguém tem paciência para ouvir.

É a tristeza de quem dá tudo e recebe quase nada.

De quem tenta todos os dias ser apoio, ser âncora, ser escudo.

De quem não pede ajuda porque sabe que, mesmo que pedisse, poucos saberiam como ajudar. E mesmo os que sabem, talvez não queiram.

É a tristeza de quem ouve os outros, mas quando fala… sente o silêncio do mundo a bater-lhe no peito.

É a tristeza de quem dá espaço, mas nunca lhe respeitam o seu.

De quem pergunta "como estás?" sem que ninguém devolva a pergunta.

É a tristeza de quem ouve os desabafos alheios e guarda os próprios num cofre sem chave.

De quem se anula para agradar.

De quem ajuda sem esperar nada — mas que, ainda assim, sente a dor da ingratidão.

De quem se cansa… mas continua.

De quem dá… e dá… e dá…

E quase nunca ouve um "obrigada".

Não é que se faça pelas palmas. Mas um obrigado sincero cura. Um gesto de reconhecimento acalma. Um olhar de empatia salva dias.

Mas vivemos numa era onde o ego fala mais alto que a gratidão, onde o “usa e deita fora” aplica-se até a pessoas. Onde o que não brilha no palco da internet… parece não ter valor.

Há sentimentos que ninguém valoriza.

Gentilezas que passam despercebidas.

Sacrifícios que ninguém menciona.

Presenças que só se notam quando desaparecem.

E é por isso que tanta gente boa se cala. Que tanta alma bonita se fecha. Que tantos corações generosos se tornam duros. Porque cansam-se de não caber no mundo que ajudaram a carregar.

Se te reconheces nisto, só te posso dizer uma coisa: o teu valor não depende da visão limitada dos outros.

Não és menos porque não te aplaudem.

Não és fraco porque te doem as costas de tanto suportar o peso que ninguém vê.

Tu sabes quem és. E isso basta.

Mas, por favor, que hoje alguém te diga o que devia ser dito mais vezes:

Obrigada. Por tudo o que és. Por tudo o que fazes. Mesmo quando ninguém repara. Mesmo quando ninguém agradece. Mesmo quando ninguém te valoriza.

Tu importas.

Mesmo quando o mundo te ignora.

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