Vivemos num tempo em que todos falam. Fala-se nas redes, nos grupos de WhatsApp, nas reuniões, nos cafés, nos noticiários e até nos comentários das notícias que nem lemos até ao fim. Fala-se por impulso, por necessidade de opinião, por medo de parecer ausente, por hábito. Mas poucas vezes paramos para nos perguntar: será mesmo necessário dizer alguma coisa?
O silêncio tem má fama. É confundido com fraqueza, com omissão, com indiferença. Ensinaram-nos que quem cala consente, que o silêncio é um vazio a preencher, uma falha a corrigir. No entanto, há silêncios que gritam verdades que nenhuma palavra alcança. Há silêncios que respeitam, que protegem, que curam. E há silêncios que são, simplesmente, mais sábios do que qualquer discurso.
Nem sempre precisamos de responder no momento. Nem sempre temos de nos justificar. Há conversas que não merecem resposta, há provocações que não merecem eco, há discussões que só sobrevivem alimentadas pelo ruído. E há dores que não precisam de conselhos, apenas de presença. Um olhar. Uma mão pousada com ternura. Um silêncio inteiro que diz: “estou aqui”.
O silêncio também é escolha. É escuta. É humildade em reconhecer que não temos todas as respostas, que o outro talvez só precise de ser ouvido, sem ser corrigido. É maturidade em perceber que nem tudo o que nos magoa merece reacção, que há batalhas que se ganham com a serenidade de quem não se deixa arrastar para o caos.
Por vezes, é no silêncio que nos reencontramos connosco. No meio do barulho do mundo, esquecemo-nos de escutar o que se passa cá dentro. Tapamos com ruído o que não queremos sentir. Mas quando finalmente nos calamos, quando deixamos de fugir das pausas, ouvimos as perguntas que evitávamos, as verdades que temíamos, e as respostas que sempre estiveram lá.
Não, o silêncio não é ausência. É presença no seu estado mais cru. É escolha consciente de não ferir, de não alimentar ruído, de não desperdiçar energia. É a coragem de ficar calado quando tudo em nós quer gritar, mas o coração já sabe que gritar não resolve.
Às vezes, o silêncio é abandono. Mas noutras vezes — nas mais importantes — é cuidado. É amor. É respeito. E, acima de tudo, é sabedoria.
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